TRÊS TENDÊNCIAS PARA O HORIZONTE DO CENÁRIO MILITAR /THREE TRENDS FOR THE HORIZON OF THE MILITARY SCENARIO

 

 

“Não existem erros novos. O que existem são pessoas novas cometendo erros antigos”

 

É muito precoce para se delinear com precisão, e seria leviano afirmar taxativamente, mas o horizonte social e tecnológico que se descortina em nossos dias aponta para algumas tendências no campo das atividades militares. Talvez elas nunca cheguem a se concretizar em sua plenitude, mas é imprudente desprezá-las sem ao menos tomar conhecimento das transformações positivas e negativas que podem vir atreladas às mesmas.

 

Identificamos as três que julgamos mais relevantes até então, e vamos discorrer brevemente sobre elas:

1)  As tecnologias disruptivas, as quais :

– não se limitaram ao mercado de trabalho, também estendendo suas mudanças para as lides da defesa;

– neste setor de atividades, apresentam como resultado prático a escassa presença humana em favor da automação e a proliferação de vetores sacrificáveis, remotamente pilotados – estão aí os veículos não tripulados em terra, mar e ar e, mais cedo ou mais tarde o advento da inteligência artificial num nível que permita aos sistemas agir de forma semiautônoma ou totalmente autônoma;

Figura 1:  VANT HERMES da Força Aérea Brasileira

2) Baixa letalidade intencional do armamento motivada por aguda condenação internacional  e materializada  na forma de armas de neutralização, cuja natureza:

 – prioriza a destruição material da capacidade ofensiva do adversário, destruindo seus sistemas de mobilidade e logística, vetores de armas e capacidade de comunicação, poupando sempre que possível o seu componente humano;

– um exemplo claro desta tendência é a extensa pesquisa que o Non-Lethal Weapons Program (U.S. Department  of  Defense), o Programa de Armas Não Letais do Departamento de Defesa dos EUA vem efetuando neste sentido, cuja quantidade de projetos que aparece no printscreen  recente do respectivo site oferece uma ideia da importância que as Forças Armadas dos EUA dedicam a este conceito (abaixo):

 

 

3)  Os crescentes custos dos insumos bélicos e das campanhas militares, as quais estão ascendendo a níveis proibitivos, resultando em:

– significativa diminuição do efetivo dos exércitos, priorizando a qualidade das tropas, com ênfase para as unidades de Operações Especiais,

– busca de vetores polivalentes e

– criação de um ambiente político favorável à criação de consórcio de projetos e alianças multinacionais de defesa, associando países com interesses regionais comuns.

Figura 2:  HMNZS Canterbury, exemplo de conceito de navio polivalente

 

Figura 3 : Jato F-35 : um projeto para muitos países

 

CONCLUSÃO

Face às dinâmicas transições que a tecnologia tem trazido a este início de século, não se pode classificar as premissas tratadas neste texto como inexoráveis, mas também é muito temerário não se analisar medidas que mitiguem seus impactos degradantes e potencializar aquelas cabíveis no sentido de aproveitar os efeitos  benéficos vinculados à estas transformações.

O mínimo que se pode perceber desde já é que uma parte destes fatores vai influenciar e moldar o design das Forças Armadas de todos os países nas próximas décadas.

Uma rápida busca em qualquer livro de História resulta na conclusão que não se pode projetar poder militar com base na guerra anterior – exemplo acabado disto é a Linha Maginot francesa, projetada nos anos 1930 com base nos ensinamentos colhidos na guerra de trincheiras de 1914-18, e rapidamente sobrepujada por inovações tecnológicas e de manejo de forças militares introduzidos pelos alemães em 1940. Da mesma forma, não podemos desenhar nos dias de hoje forças armadas cuja arquitetura tenta emular vetores que tiveram seus dias de glória na Guerra do Golfo (1991) ou no Conflito das Falklands\Malvinas (1982).

A grande lição válida destes conflitos é que, embora recorrentes em erros políticos, eles nunca se repetem no quesito tecnológico.

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THREE TRENDS FOR THE HORIZON OF THE MILITARY SCENARIO 

 

“New Person, same old mistakes”

 

It is too early to delineate accurately, and it would be foolish to say categorically, but the social and technological horizon that is emerging today points to some trends in the field of military activities. They may never come to fruition, but it is imprudent to despise them without even realizing the positive and negative transformations that may be linked to them.

We identify the three that we have considered most relevant so far, and we will briefly discuss them:

1) Disruptive technologies, which:

– were not limited to the labor market, also extending their changes to the defense;

– in this sector of activity, they present as a practical result the scarce human presence in favor of automation and the proliferation of remotely piloted vectors – there are unmanned vehicles on land, sea and air and, sooner or later, the advent of Artificial Intelligence at a level that allows systems to act in a semi-autonomous or fully autonomous way;

 

2) Low intentional lethality of armaments motivated by acute international condemnation and materialized in the form of neutralizing weapons, whose nature:

  – prioritizes the material destruction of the opponent’s offensive capability, destroying its mobility and logistical systems, weapons vectors and communication capability, saving its human component whenever possible;

– a clear example of this trend is the extensive research that the US Department of Defense’s Non-Lethal Weapons Program,  has done in this regard, the amount of projects appearing on the recent print screen of its website offers an idea of the importance that the US Armed Forces devote to this concept (below):

3) The rising costs of military inputs and military campaigns, which are rising to prohibitive levels, resulting in:

– a significant decrease in the number of troops, prioritizing the quality of armies, with emphasis on Special Operations units,

– search for polyvalent vectors and

– creation of a political environment conducive to the creation of a consortium of multinational defense projects and alliances, associating countries with common regional interests.

 

CONCLUSION

 

In view of the dynamic transitions that technology has brought to this beginning of the century, one can not classify the premises treated in this text as inexorable, but it is also very reckless not to analyze measures that mitigate their degrading impacts and to potentiate those that are appropriate in order to take advantage of beneficial effects associated with these transformations.

The least that can be understood right now is that a part of these factors will influence and shape the design of the Armed Forces of all countries in the coming decades.

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