SERENIDADE, MATURIDADE E CONSCIÊNCIA: ALICERCES DA LIDERANÇA (SEGUNDA PARTE)

Prosseguindo em nosso artigo, hoje vamos discorrer sobre a importância da maturidade para a formação de uma boa liderança. Costumo dizer que a maturidade é aquela fase da vida em que Você começa a se arrepender menos das decisões que tomou, de vez que as consequências das mesmas, se por um lado não apresentam todos os resultados positivos pretendidos, também já não costumam causar tanto dano!

Maturidade é equilíbrio, ponderação, é preocupação com a maneira como nossos atos afetam a vida de nosso semelhante. O líder maduro está sempre preocupado com a seguinte questão : QUEM NÓS SEREMOS DEPOIS QUE EU TOMAR ESTA DECISÃO ? Poderemos viver tranquilamente com suas consequências ? As pessoas estarão vivendo melhor depois que eu decidir desta forma ?

Para ilustrar este ponto de vista , hoje vamos contar a história de um jovem líder que, confrontado com uma grave crise política, tomou uma decisão inegavelmente madura e evitou que milhões de vidas fossem sacrificadas.

John Fitzgerald Kennedy (1917-1963) , alcunhado JFK ou “Jack” foi o mais jovem presidente a vencer uma eleição na história dos Estados Unidos (43 anos de idade em 1960, embora o mais moço a assumir esse cargo foi o vice Theodore Roosevelt aos 42 anos em 1901 por falecimento do titular).

Em outubro de 1962, aviões de reconhecimento Força Aérea dos EUA detectaram a presença de bases lançadoras de mísseis nucleares soviéticas em território cubano, os quais poderiam atingir rapidamente as cidades mais populosas dos EUA, haja visto que a costa americana se localizava apenas 150 km dali (vide mapa abaixo):

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Kennedy se viu em meio a um perigoso dilema: se deixasse que os mísseis permanecessem onde já estavam pareceria um líder fraco e seria um eterno refém dos soviéticos. Mais do mesmo poderia vir em seguida . Por outro lado, se optasse por invadir Cuba, poderia iniciar a Terceira Guerra Mundial.

Ele tomou uma decisão inesperadamente sensata: resolveu negociar com os soviéticos. Assim sendo, após 13 dias de tensas conversações, enquanto a Marinha Americana bloqueava Cuba por mar (e o resto do planeta prendia a respiração), ficou acordado que os russos retirariam os mísseis e em contrapartida os americanos cumpririam um protocolo secreto de desarmar seus artefatos similares na Turquia e Itália cujo alvo era a URSS.

Para que desentendimentos assim não se repetissem, uma “hotline” (linha direta de comunicações) também seria criada entre Washington e Moscou, o famoso “telefone vermelho”.
Então, embora nunca tenhamos chegado tão perto de uma guerra nuclear, a paz se fez com serenidade.

Porque Kennedy acertou tanto ? Vamos enumerar três razões (embora haja muitas mais):

1- Ele foi intensa e extensivamente preparado para o cargo de Presidente da República desde a juventude . Quando seu pai foi embaixador na Inglaterra, o jovem Jack o assistia em suas funções. Posteriormente , lutou na Marinha na Segunda Guerra Mundial, de onde voltou como herói condecorado. Esta curta, mas vitoriosa carreira militar angariou-lhe a confiança do eleitorado, o qual o elegeu para o Congresso, primeiro como deputado e depois como senador. Aprendamos então: experiência cultivada numa mente naturalmente aberta ao aprendizado muitas vezes conta mais do que a simples idade cronológica do líder;

2- Kennedy procurou pessoas do outro lado com quem pudesse negociar. Ele sabia que, independentemente do totalitarismo soviético, havia pessoas ali com quem poderia conversar e chegar a um consenso que fosse benéfico para ambos os lados. Ele respeitou seus adversários, procurando se colocar no lugar do líder soviético Nikita Kruschev e oferecendo alternativas honrosas para o mesmo, buscando estabelecer uma base de confiança, negociando com franqueza e cumprindo o acordado. Quando acabou, determinou que as redes de TV e rádio dos EUA não disseminassem a solução do conflito como uma vitória americana. Verdadeiros líderes são construtores de pontes; e

3- Mesmo jovem à época dos fatos (apenas 45 anos), ele soube resistir habilidosamente às pressões de seus generais e conselheiros mais velhos, os quais desejavam um ataque à Cuba. Kennedy não pôs mais gasolina na fogueira – muito pelo contrário, ele chamou os bombeiros. Líderes autênticos analisam fatos com isenção de ânimos.

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O modus operandi de JFK na Crise dos Mísseis é um exemplo sólido do que o líder maduro deve ser: seguro, centrado, bom ouvinte, ponderado e perspicaz. A passagem do tempo acabou por provar que ele estava certo em sua moderação.

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http://www.robinsonfarinazzo.com.br/serenidade-maturidade-e-consciencia-alicerces-da-lideranca-terceira-parte/

Assista o trailer do filme “Os treze dias que abalaram o mundo”, com Kevin Costner:

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2 Comments

  1. Caro Fari

    A Crise dos mísseis foi um exemplo de uma operação de desinformação da ex-URSS, ou também chamada pela KGB (Kommitet Gosudarstvenoy Bezopasmosti) de Medidas Ativas (translit. rus.: Aktivnyie Merodpryiatyia). O objetivo de Kruschev nessa operação era fazer com que Kennedy desistisse de atacar Cuba, como fizera na trágica operação na Baía dos Porcos. Essa operação fora bem sucedida, pois Kennedy aceitou o acordo imposto por Kruschev, onde o próprio dissera que “…Nós tivemos dois trabalhos, um para transportar os mísseis; e outro para levá-los de volta!…”.
    Se Kennedy tivesse mantido o apoio aos pilotos formados por dissidentes cubanos, talvez a ex-URSS tivesse perdido o seu trampolim na América Latina.

    Abrçs

    Torres (Prep – 646, AMAN-1195).

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