SE O DUQUE DE CAXIAS NÃO FOSSE BRASILEIRO – SEGUNDA PARTE

“Vamos fechar as feridas. Vamos cuidar daqueles que lutaram, daqueles que são órfãos e das viúvas. Certo, agora somos um só país outra vez – a guerra acabou.”

                                                              (Abraham Lincoln)      

 

  

O ano de 1842 foi tumultuado para Luís Alves de Lima e Silva, o então Barão de Caxias. Alguns meses antes, ele pacificara a província do Maranhão na insurreição que entraria para a história como Balaiada. Mas não haveria descanso para o jovem General-Brigadeiro de 39 anos de idade. Em maio explode a Revolução Liberal na província de São Paulo e para lá segue Caxias. Vencida esta, volta ao Rio de Janeiro em julho, mas permanece apenas dois dias em casa com a família, pois estoura nova revolta, desta vez em Minas gerais. Esta só será debelada em 20 de agosto daquele ano, com a vitória do Barão na batalha de Santa Luzia.

Dois meses depois, Caxias segue para o Sul do Brasil que se encontrava em chamas. Tem a missão de comandar as tropas imperiais na luta contra os Farrapos, insurgentes gaúchos de orientação republicana. Lá chegando, reorganiza o Exército Imperial, que se encontrava em frangalhos. Ensaiando o “modus operandi“ que o tornaria vitorioso na sangrenta Guerra do Paraguai duas décadas depois, Caxias adotou, dentre outras providências:

– O restabelecimento da disciplina;

– Treinamento;

– Logística: uniformes, comida e, principalmente, a compra de cavalos e

-Reconhecimento & Informações– ele conseguiu, por muitas vezes, antecipar os movimentos do inimigo.

Parte para a ofensiva em fevereiro de 1843. Esta guerra só seria vencida por Caxias dali a dois anos.

A conduta dele no conflito dos Farrapos antecede a de Abraham Lincoln em duas décadas, no sentido de que Caxias, tal qual o grande presidente norte americano, não humilhou os vencidos, oferecendo-lhes uma paz conciliatória, que permitiu ao País seguir em frente. É verdade que em todas essas revoltas houve vez ou outra alguns excessos pontuais das tropas de Caxias? Certamente que sim, bem como do lado opositor. Mas, esta conduta particular de alguns não se coadunava com o caráter de seu líder. Lembremo-nos que por mais hábil, honrado e austero que um comandante militar seja, ele não é onipresente, muito menos onisciente.

Há que se recordar que todos os insurretos da Revolução Liberal foram anistiados em 1844. Faz-se necessário, também, um mergulho no tempo para se conscientizar das tristes condições daquela época. Dom Pedro II, o Imperador, era apenas um adolescente de 16 anos em 1842, com pouquíssimo capital político, em busca de legitimidade para seu trono e unidade para o Império. E, encontraria em Caxias o fiador da estabilidade de que carecia seu reinado.

       O político Caxias

Não fora este brilhante militar, só nas sedições abordadas na matéria de hoje, o Brasil perderia quase 1.500.000 km2 (Maranhão, São Paulo, Minas Gerais e Rio Grande do Sul, cerca de 17% do atual território nacional), e é provável que, caso vitoriosas essas revoltas, certamente  outras se seguiriam. Nunca teríamos o Brasil como o conhecemos hoje, pois ele fatalmente se esfacelaria. A liderança, muitas vezes é mais bem sucedida pelo mal que evitou do que pelo bem que legou.

De volta ao Rio de Janeiro, Caxias entra para a política, elegendo-se Senador, e continuando a servir Dom Pedro II com lealdade. Para sorte do monarca, a inteligência de Caxias foi maior do que sua ambição. Tivesse Caxias caído em tentações bonapartistas, o Brasil mergulharia no viciante ciclo do caudilhismo sul-americano. Não se deslumbrou com o poder: ele queria o melhor para o País.

Seis anos depois, em 1851, ele voltaria aos combates, desta vez contra as tropas argentinas naquela que ficaria conhecida como Guerra do Prata. Vitorioso, é promovido a Tenente General. Nos anos seguintes, se ele não enfrentou lutas no campo de batalha, suportou turbulências no instável clima político da corte. Certa vez, disse a um colega parlamentar uma frase que, passados um século e meio, tem sua validade até nos dias de hoje:

“Percebo o que quer dizer, a respeito do comportamento bizarro desses senhores, que não desejam governar o país, ao serem convidados a fazê-lo, por preferirem governar o governo. Estão completamente enganados sobre mim, já que eu não estou disposto a servi-los como um cavalinho de pau.”

Mas a sua folha de serviços ao Brasil não parou aí. Uma década depois, ele enfrentaria, na maior ameaça que o Império brasileiro sofreu, o grande desafio de sua carreira: a Guerra do Paraguai, tema de nosso próximo capítulo.

Para ilustrar o post de hoje, eu deixo Vocês com um belíssimo trailer da minissérie “A Casa das Sete Mulheres”, romance de Letícia Wierzchowski que narra a saga de uma família gaúcha durante a Guerra dos Farrapos e foi  levado às telas da Rede Globo, em 2003.

Leia a primeira parte desta história em :

http://www.robinsonfarinazzo.com.br/se-o-duque-de-caxias-nao-fosse-brasileiro/

                                                                                                Continua…

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