O QUE O CAPTAIN SULLENBERGER TEM A NOS ENSINAR – TERCEIRA PARTE

Nos dois posts anteriores, descrevemos o acidente do voo Cactus 1539 e discorremos sobre  a personalidade cativante do Comandante “Sully” Sullenberger. Hoje vamos aprender um pouco com o seu avião, um Airbus A-320.

Uma maravilha da indústria aeronáutica francesa, estas fantásticas aeronaves de design elegante possuem asas muito bem dimensionadas, projetadas para serem velozes sem deixar de lado a segurança, e essa dualidade permitiu um planeio perfeito em direção a “pista líquida” do rio Hudson mesmo com ambos os motores parados. Lição número um : entregue ao cliente o que ele deseja (velocidade) mas ofereça-lhe um plus que ele poderá vir a utilizar (no caso, segurança). Isto ajuda a consolidar sua marca – ou alguém duvida que a Airbus vendeu mais aeronaves depois deste pouso ?

A família de aeronaves Airbus também leva a bordo também sistemas auxiliares capazes de fornecer energia elétrica e hidráulica em emergência (unidade de força auxiliar – APU e turbina RAT) que são independentes dos motores. Ou seja, você fica sem potencia, mas não fica sem eletricidade nem sem força para acionar os comandos de voo. Lição número dois : ofereça soluções redundantes  ao seu cliente. E se possível, não cobre a mais (estes sistemas já estão precificados na aviação civil).

Os engenheiros aeronáuticos são muito meticulosos e sempre procuram prever o pior, desta forma dotaram o A-320 com um switch de “queda”, dispositivo que fecha todas as válvulas do lado inferior do avião, (embora diga-se que o mesmo não foi acionado pelos tripulantes naquele dia). Lição número três : deixe margem para o inesperado.

O painel da aeronave também é muito prático e funcional, de maneira que a tripulação obtém instantaneamente as informações que necessita em situações de emergência, facilitando a tomada de decisões acertadas e tempestivas. Lição número quatro : torne a informação acessível e amigável ao usuário, de maneira que ele não tenha que gastar energia nem desviar atenção ao procurá-la.

 

Estes aviões também são muito bem cuidados, e toda a sua manutenção fica devidamente registrada em logbooks. A título de exemplo, podemos constatar que no momento do pouso no Hudson o “Cactus” registrava  19.182 horas  de operação na turbina 1 (esquerda) 26.466 horas na  turbina 2 (direita) . Lição número cinco : mantenha registros precisos . Além de lhe fornecer um norte , os mesmos proporcionam economia e evitam retrabalho.

Desta forma, podemos dizer que o Airbus A-320 é um conjunto extremamente preciso de subsistemas colocados a serviço da tripulação, visando realizar um voo veloz de forma econômica mas sem jamais abandonar a segurança. Uma verdadeira orquestra afinada que foi muito bem regida pelo maestro Sullenberger naquela tarde de 15 de janeiro de 2009.

Veja abaixo um vídeo de simulação de apagamento de ambos os motores semelhante ao que aconteceu com o Cactus 1539.

Você também poderá gostar de :

http://robinsonfarinazzo.com.br/o-que-o-captain-sullenberger-tem-a-nos-ensinar/

http://www.robinsonfarinazzo.com.br/o-que-o-captain-sullenberger-tem-a-nos-ensinar-segunda-parte/

Veja o vídeo da simulação em :

Posted in Uncategorized and tagged , , , , .

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *