O MAIOR DOS DIAS DA AVIAÇÃO – TERCEIRA PARTE

e como vos carreguei sobre asas de águia e vos trouxe a mim. (Exodo 19:4)

O tempo corria dramaticamente contra as equipes de resgate. A qualquer momento Addis Abeba poderia ser tomada por forças rebeldes ou , mesmo se isto não acontecesse, havia o risco do aeroporto ser bombardeado. Eles precisavam trabalhar rápido (e bem), e o fizeram com maestria.

Havia boas razões por trás desta eficácia. A primeira delas é que muitos dos seus membros eram veteranos de outras operações de resgate, inclusive a pouco conhecida Operação Moisés que entre novembro de 1984 e janeiro de 1985 trouxe pelos céus mais de 8.000 refugiados do Sudão para Israel. As lições desta ponte aérea não foram esquecidas, e seus erros logísticos foram corrigidos.

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A expertise dos militares de Israel fez toda a diferença

A segunda é que  as Forças Armadas de Israel deram total colaboração. Seus militares colocaram a expertise adquirida em tempo de guerra a serviço de uma operação de paz e foram decisivos para organizar os refugiados, fornecer  segurança , assistência médica e pilotos extremamente experientes.

A terceira é talvez a mais importante. O estado de Israel foi fundado com a premissa de ser um porto seguro para os judeus de todo o mundo, para que não se repetissem os horrores do Holocausto nazista da Segunda Guerra Mundial, quando refugiados judeus não tinham para onde ir. Assim sendo, as equipes de resgate tinham plena consciência de que estavam resgatando gente que, embora tenham nascido em outro continente compartilhavam os mesmos valores que eles.

Nenhum daqueles pilotos, médicos ou soldados israelenses envolvidos na Operação Solomon dava importância para o fato de que a maior parte dos refugiados tinha uma cor de pele diferente da sua. Simplesmente cuidaram deles, os instalaram nos aviões e transportaram com segurança para Israel. Em apenas um dia e meio, tudo estava concluído. Sem mortos nem feridos.

E foi em meio a esta correria que aconteceu um dos fatos mais impressionantes já registrado em  toda a história da aviação. Os planejadores aeronáuticos israelenses calculavam que os  Boeing 747-200 envolvidos na operação poderiam transportar até 760 refugiados em cada vôo (lembre-se que em condições normais estas enormes aviões transportam cerca de 400 passageiros). Eles estavam errados, pois o 747  prefixo 4X-AKQ (foto acima ) da companhia israelense El Al decolou de Addis Abeba com 1086 passageiros, e pousou em Israel com 1087 ! Além do recorde mundial de pessoas transportadas num único vôo, uma criança viera ao mundo , como se fosse um símbolo da vida que renasce em meio a quase tragédia .

Recém nascido é colocado em incubadeira no aeroporto em israel

Recém nascido é colocado em incubadora no aeroporto em Israel

E esse bebê não teria sido o único. Há relatos dando conta que cinco crianças teriam nascido nas 36 horas que durou a ponte aérea. Mas tudo bem, já havia incubadoras prontas esperando por elas nas pistas do aeroporto em Israel !!!

Fica então  o testemunho daquele que foi , provavelmente o maior de todos os dias da aviação, em que numa Babel de línguas e nacionalidades, homens de peles diferentes mas de coração irmanado deram o melhor de si para que outros vivessem.

Bebês a bordo :gêmeos sendo acomodados na aeronave.

Bebês a bordo: gêmeos sendo acomodados na aeronave.

Veja no vídeo a seguir enquanto aguarda a publicação da quarta  parte desta epopéia.

Você também poderá gostar de : http://www.robinsonfarinazzo.com.br/o-maior-dos-dias-da-aviacao-segunda-parte/

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