O ÂMAGO DA INVESTIGAÇÃO DE UM ACIDENTE AÉREO

Quer queiramos ou não, há duas verdades a respeito de acidentes na aviação :

A- Como ainda não se descobriu um método cem por cento eficaz de evitar que ocorram , o que pode ser feito é diminuir a  freqüência com que se sucedem e a probabilidade que venham a se repetir pela mesmas causas e

B- Paradoxalmente, a aviação se torna mais segura depois de um revés. E é sobre esta segurança que vamos falar hoje.

As mudanças pelas quais a aviação passará após um acidente só serão eficazes se a investigação do mesmo for conduzida da maneira mais cristalina possível. E esta transparência só é atendida se nos prendermos a alguns princípios, dentre os quais destacamos:

1- Os investigadores não podem nem devem se deixar influenciar por pressões, sejam elas de cunho institucional, hierárquico, ou mesmo familiar. Eles devem se despir de suas paixões,  servir a suas consciências e atender o firme e inabalável propósito de melhorar a aviação através de análise isenta e recomendações frutíferas;

2- Devem ser buscadas as motivações humanas pois , via de regra, é nelas que repousam as causas de um acidente. Ora, alguns hão de argumentar que a degradação de condições meteorológicas em rota, só para citar um exemplo, está acima de nossas vontades e  de nosso controle. É verdade, mas o ato de desafiar estas conjunções, planejar um itinerário menor que as atravesse ou menosprezar seu risco é uma faceta da natureza humana, e devem ser investigados seus motivos;

3- Todas condicionantes precisam ser consideradas, mas há uma delas  em especial que deve ser analisada com lupa especial: trata-se dos contingenciamentos financeiros. Segurança de vôo implica custos e, se em algum momento, o orçamento à ela destinado foi minorado, pode ser uma pista inicial bastante promissora;

4- Os investigadores devem ter em mente que em suas mãos repousa boa parte do futuro da aviação. Assim sendo, precisam elaborar análises que impactem positivamente o futuro desta atividade, e isto só é possível mediante uma condução muito honesta e consciente do processo por parte de seus agentes.

No mínimo, devemos muito respeito à memória das vítimas e seus familiares.

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O Capitão de Mar e Guerra Glenn Ford

Para ilustrar nosso artigo,  disponibilizamos o trailer do filme “O destino é o caçador” (Fate is the hunter), de 1964, onde um obstinado ex-piloto vivido por Glenn Ford tenta provar a inocência  do amigo falecido em acidente aeronáutico no início da era do jato.

Por curiosidade, Ford, (1916-2006) além de ator, foi oficial da marinha dos EUA (US Navy) nos anos da Segunda Guerra Mundial, tendo atingido o posto de Captain (Capitão de Mar e Guerra).

O filme é baseado no livro de mesmo nome de Ernest. K. Gann, uma leitura que sugiro a todos.

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