NADA VOA COMO O FALCÃO PEREGRINO

Vi voar muita coisa nesta vida, e voei com algumas. Presenciei o voo de aviões e helicópteros construídos com alumínio aeronáutico, alguns com material composto, outros de tela e até mesmo de madeira leve. Mas sei que nada voa com a sincronia, graça a leveza de um Falcão Peregrino (Falco Peregrinus), como se a natureza se pusesse a zombar de nossa pobre condição de amadores. Ela nos deixa tentar suas técnicas, mas não nos ensina sua arte…

Existe um imenso esforço intelectual, calcado na engenharia, e com enorme dispêndio financeiro na busca humana pelo progresso aeroespacial. Já conquistamos muita coisa neste sentido, mas, ainda, estamos longe de atingir a perfeição do Falcão Peregrino, que tem pouco mais de um metro de envergadura nas asas, mas consegue migrar do Alaska para o Brasil e atinge impressionantes 320 km/h em mergulho. Reconhecemos (e reverenciamos) sua competência quando damos seu nome a máquinas velozes, como estas abaixo:

Nakajima Ki 84 Hayabusa (Falcão Peregrino em japonês)

 

Motocicleta Suzuki Hayabusa

Mas, embora, belas sob o ponto de vista do design, todas essas nossas tentativas de imitá-lo não passam de reconhecimento tácito da desenvoltura com a qual o Peregrino  desliza à vontade nos céus. É o lar de sua espécie, o templo azul onde caça seu alimento (essa raça de falcões prefere presas voadoras às terrestres), cujas únicas “paredes” são as estações do ano que o obrigam a fazer longas migrações fugindo do inverno.

 Assim sendo, nos meses frios do Hemisfério Norte ele vem para regiões meridionais, e quando esfria por aqui, volta para o verão canadense. É o ciclo mágico da vida que nunca se quebra. Faz este longo voo solitário em velocidades de cruzeiro que oscilam entre 70 e 100 km/h.

O Falcão Peregrino é indiferente ao fato do chão sob suas asas configurar território do México ou  da Guatemala: no seu cérebro focado, o único objetivo que existe é chegar num ponto do planeta em que o clima lhe é favorável. Para sua majestade alada, nossos problemas de fronteira não têm importância, assim como as baixas paixões humanas que ele abandona no solo.

Trata-se da comunhão perfeita com a vida e a natureza, de uma liberdade e independência que estamos muito longe de conhecer – será a nossa redenção absoluta se um dia o fizermos.

Caminhar de encontro ao que o universo tem de sublime é o que nos redime de nossas imperfeições.

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Assiste um vídeo sobre as habilidades do Falcão Peregrino:

 

 

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