MARINHA DO BRASIL : SOLIDARIEDADE NO MAR

No início de setembro de 2015, numa mesma  semana, os mares da Europa Meridional foram notícia em dois espectros diametralmente opostos do controverso comportamento humano. No primeiro deles, em que se mesclam dor, vergonha e descaso, o corpo de um menino sírio de apenas três anos de idade, Aylan Shenu, aparece numa praia da Turquia plavix 75 mg.

 Aquele menino não morreu sozinho. Parte de sua família se afogou junto com ele, somando-se aos milhares de corpos anônimos de refugiados paquistaneses, líbios, eritreus e de outras nacionalidades igualmente flagelados por  guerras, fome, ditaduras e outros pesadelos gerados pela triste condição humana.

Naquela mesma semana a corveta Barroso, da Marinha brasileira, foi acionada por autoridades européias paras socorrer um barco de refugiados que adernara no Mar Mediterrâneo com 220 pessoas em seu bojo.  Recolher duas centenas de almas a bordo de um navio  de guerra projetado para conter apenas 190 tripulantes não é uma ‘faina” (é assim que os marinheiros denominam suas tarefas) das mais fáceis, mas a tripulação da CV Barroso transformou aquilo que seria visto até então como um problema num desafio a ser superado. E isto foi possível porque houve por parte de todos os marinheiros um comprometimento que transcendeu em muito o dever funcional, visto que se mesclaram ao mesmo os valores de solidariedade, camaradagem e calor humano que caracterizam nosso povo.

Sabemos o quanto é difícil o Brasil ser protagonista de notícias positivas, mas o fato é que elas sempre existiram, principalmente no terreno da fraternidade. É preciso que se olhe com mais carinho e atenção para as realizações desta gente simples que fala português, que sofre com a situação do seu próprio país  mas que nem por isto deixa de se enternecer com a sorte dos menos favorecidos de outras bandeiras.

Cortesia: www.podernaval.com.br

Cortesia: www.naval.com.br

É importante mencionar que não é a primeira vez que exemplos de solidariedade e boa vontade assim acontecem, pois militares  (e civis) brasileiros já haviam  levado estes mesmo valores ao Haiti, Timor Leste e Angola. São os  José, João, Silva e outros tantos anônimos de Nova Iguaçu, Petrolina  ou Bagé que se comovem, entretêm crianças, ajudam velhos e levam um pouco daquilo que o brasileiro tem de melhor: a mágica capacidade de conviver com culturas, religiões e visões políticas muitas vezes bem diferentes das suas raízes sociais. Sim senhoras e senhores, o Brasil não leva apenas navios, tanques e aviões para atender missões das Nações Unidas, pois operando estas máquinas vão homens e mulheres que compartilham os traços daquilo que temos de mais positivo em nosso caráter, que é a capacidade de contemporizar, de conviver, de aceitar o diferente. E ao aceitá-lo, fazem toda a diferença para o entorno.

Neste momento há que se recordar que foi sob a égide um brasileiro, Sergio Vieira de Mello, que o Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR) ganhou visibilidade e um aspecto mais humanista em suas atribuições. Não custa lembrar que em agosto completou-se doze anos de sua morte trágica no Iraque ao lado dos flagelados de guerra que ele defendeu por toda a sua vida. Não podemos, nem devemos esquecer suas lutas e, em especial, sua boa vontade e seu comprometimento com os menos favorecidos pela sorte.

Se nossa gente foi capaz de fazer tudo isto lá fora, não há razão para descrermos que, mais cedo ou mais tarde, na senda da democracia, da liberdade e da justiça  social , acabaremos por fazer o Brasil dar certo .

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