21.5 C
São Paulo
quarta-feira, Abril 25, 2018
Inicio Blog Página 5

AS PONTES DE TOKO RI

James A. Michener foi Oficial da Marinha dos Estados Unidos (US Navy) durante a Segunda Guerra Mundial, tendo participado da Campanha no Oceano Pacífico. Observador atento e de grande sensibilidade, mas sobretudo um ótimo escritor, transformou tudo o que viu e ouviu em (boa) literatura, chegando a ganhar um Prêmio Pulitzer em 1948. Parte de suas obras  transformaram-se em filmes, como “Esquadrão Heróico”, “Sayonara” (com Marlon Brando) e o nosso tema de hoje, “As pontes de Toko Ri”.

Este filme (Oscar de melhores efeitos especiais em 1956) mostra as difíceis condições de céu e mar na Guerra da Coréia (1950-53), com foco nos dramas humanos. Basicamente, é a história de um piloto naval (William Holden) que é convocado para a perigosíssima missão de realizar um ataque aéreo no gelado inverno do Mar do Japão contra as bem defendidas pontes de Toko Ri, no disputado território coreano ( o nome verdadeiro do local era Samdong-ni).

Não era fácil voar ali. Não bastassem as difíceis condições topográficas e meteorológicas, a Marinha Norte Americana deparava-se com um sério problema operacional: assolados por mares minados , submarinos soviéticos e águas rasas, os comandantes de porta aviões dispunham de pouco espaço para manobrar a fim de  se manter na rota que enquadrasse os  ventos mais favoráveis as operações aéreas.

As extremas condições do Mar do Japão

 A fim  de se obter a melhor sincronia possível entre vento e movimentos do navio nas críticas operações de pouso e decolagem, faziam-se necessárias diversas manobras precisamente cronometradas, tendo-se sempre como limitante o onipresente e traiçoeiro litoral norte coreano, suas minas e submarinos. Era isto ou arriscar o pouso a bordo fora das condições do envelope de voo, com a possibilidade do piloto cair no oceano  e congelar em poucos minutos nas frias águas do Mar do Japão.

 Houve pilotos derrubados várias vezes em combate, sendo que um deles, o Comandante Paul Gray do esquadrão VF-54, o fora cinco vezes nas cercanias do porto de Wonsan. Gozadores, seus colegas pilotos deixaram um jocoso cartaz no alojamento: ‘Se você tiver que pousar em emergência em Wonsan, cuidado para não atingir o avião do Gray “!

 Todos os fatos mostrados no filme aconteceram realmente, embora não com as mesmas pessoas nem na sequência que foram mostrados. O excêntrico piloto de helicóptero de resgate vivido pelo ator Mickey Rooney é, de certa forma, uma mescla da história do tenente da Marinha John Kelvin Koelsch, que morreu de maus tratos num campo de prisioneiros de guerra norte coreano após ter sido derrubado enquanto resgatava outro piloto, com a personalidade do “chefe” Duane Thorin, muito hábil em “pescar”  pilotos no Mar do Japão (131 resgates bem sucedidos antes de ser derrubado).

Uma singela homenagem a estes dois homens extraordinários.

Há quem diga que Michener fez o melhor relato existente até hoje sobre as dificuldades da Guerra da Coréia, um conflito esquecido pelos Estados Unidos, que dividiu um país e continua a gerar polêmica até hoje. Verdade ou não, este talvez seja o filme mais conhecido até hoje sobre aquele período.

Detalhe:  como se tudo isso ainda não bastasse, o filme ainda tem Grace Kelly belíssima no esplendor dos seus 23 anos !

Você também poderá gostar de:

http://www.robinsonfarinazzo.com.br/a-vida-de-um-piloto-de-skyhawk/

Assista o trailer de “As pontes de Toko Ri”:

NADA VOA COMO O FALCÃO PEREGRINO

Vi voar muita coisa nesta vida, e voei com algumas. Presenciei o voo de aviões e helicópteros construídos com alumínio aeronáutico, alguns com material composto, outros de tela e até mesmo de madeira leve. Mas sei que nada voa com a sincronia, graça a leveza de um Falcão Peregrino (Falco Peregrinus), como se a natureza se pusesse a zombar de nossa pobre condição de amadores. Ela nos deixa tentar suas técnicas, mas não nos ensina sua arte…

Existe um imenso esforço intelectual, calcado na engenharia, e com enorme dispêndio financeiro na busca humana pelo progresso aeroespacial. Já conquistamos muita coisa neste sentido, mas, ainda, estamos longe de atingir a perfeição do Falcão Peregrino, que tem pouco mais de um metro de envergadura nas asas, mas consegue migrar do Alaska para o Brasil e atinge impressionantes 320 km/h em mergulho. Reconhecemos (e reverenciamos) sua competência quando damos seu nome a máquinas velozes, como estas abaixo:

Nakajima Ki 84 Hayabusa (Falcão Peregrino em japonês)

 

Motocicleta Suzuki Hayabusa

Mas, embora, belas sob o ponto de vista do design, todas essas nossas tentativas de imitá-lo não passam de reconhecimento tácito da desenvoltura com a qual o Peregrino  desliza à vontade nos céus. É o lar de sua espécie, o templo azul onde caça seu alimento (essa raça de falcões prefere presas voadoras às terrestres), cujas únicas “paredes” são as estações do ano que o obrigam a fazer longas migrações fugindo do inverno.

 Assim sendo, nos meses frios do Hemisfério Norte ele vem para regiões meridionais, e quando esfria por aqui, volta para o verão canadense. É o ciclo mágico da vida que nunca se quebra. Faz este longo voo solitário em velocidades de cruzeiro que oscilam entre 70 e 100 km/h.

O Falcão Peregrino é indiferente ao fato do chão sob suas asas configurar território do México ou  da Guatemala: no seu cérebro focado, o único objetivo que existe é chegar num ponto do planeta em que o clima lhe é favorável. Para sua majestade alada, nossos problemas de fronteira não têm importância, assim como as baixas paixões humanas que ele abandona no solo.

Trata-se da comunhão perfeita com a vida e a natureza, de uma liberdade e independência que estamos muito longe de conhecer – será a nossa redenção absoluta se um dia o fizermos.

Caminhar de encontro ao que o universo tem de sublime é o que nos redime de nossas imperfeições.

Você também gostará de :

http://www.robinsonfarinazzo.com.br/lideranca-e-conexao-com-a-modernidade/

Assiste um vídeo sobre as habilidades do Falcão Peregrino:

 

 

SUN TZU – TRÊS INSIGHTS DE SUCESSO NA OPERAÇÃO #LAVAJATO

“A melhor inteligência militar consiste em bloquear as estratégias dos inimigos, em seguida desfazer suas alianças, e por fim atacar seus soldados em seu próprio campo”

(Sun Tzu – “A arte da guerra” )

 

São tantas as traduções, versões e compilações do tratado militar conhecido em nossos dias como “A arte da guerra” do general chinês Sun Tzu (544  – 496 A.C.) que é virtualmente impossível diferenciar o que ele disse do que não disse, assim como também não temos como precisar se ele existiu realmente ou mesmo se foi uma só pessoa, o que de maneira nenhuma diminui os acertos das lições ali contidas.

Assim sendo, adotei como política de publicação citar o mestre militar chinês apenas quando os ensinamentos mencionados estão em consonância com espírito da obra que as diferentes traduções tentam captar.

Dito isto, vamos a nossa pauta, a Operação Lava Jato.

Deflagrada em 2014, esta investigação anticorrupção é seguramente a mais profunda e abrangente que já houve em toda a história do Brasil, tendo gerado desdobramentos internacionais na Colômbia, Peru, Equador, Panamá, Venezuela, EUA e República Dominicana, sendo provável que ainda alcance Chile e Argentina. Seu sucesso não foi por acaso: bem planejada, excelentemente conduzida e focada em detalhes que fechavam todos os ângulos da investigação, a Lava Jato guarda similaridade com a condução de qualquer campanha militar vitoriosa que se analise. Senão vejamos:

1- Uma operação militar é como tomar um prato de sopa quente, come-se pelas beiradas para ganhar tempo enquanto o centro esfria, isto é, atacam-se as tropas mais fracas do inimigo para depois enfrentar as fortes. Isto é feito porque ao se bater primeiramente os efetivos adversários mais fragilizados, nossas tropas terão maior chance de vitória, elevando o moral dos soldados.

Foi exatamente o que a Força Tarefa da Lava Jato fez: prendeu-se, no início de suas operações, “peixes” pequenos e médios mas, que estavam tão implicados nos delitos de corrupção que seria praticamente impossível que conseguissem levar a cabo uma defesa bem sucedida. Porém foram estas prisões (e as subsequentes delações premiadas) que abriram caminho para sucessos (e alvos) maiores no futuro. Como diz Sun Tzu :

 A pior tática é atacar uma cidade (a qual é por sua própria natureza, um alvo grande). Assediar, encurralando uma cidade só é feito como um último recurso. Deve-se bater o exército inimigo por partes, preferencialmente  em posições pouco defendidas”

http://lavajato.mpf.mp.br/entenda-o-caso

2- Todas as investigações, denúncias e provas foram muito bem protegidas sob o manto do sigilo. Desta forma, ninguém poderia prever onde seria o próximo golpe que os investigadores iriam desferir, o que desnorteava a defesa dos envolvidos. Uma boa parte das equipes da Polícia Federal envolvidas diretamente nas prisões só ficava sabendo quem eram seus “alvos” nos últimos momentos. Conforme “A arte da guerra”:

“As operações secretas são essenciais na guerra; através delas o exército se baseia para fazer cada movimento.”

E os movimentos da Lava Jato foram precisamente sincronizados com o momento político do País, tomando proveito da indignação popular com a corrupção desenfreada. O timing de todas as suas fases e subfases foi muito bem trabalhado.

3- Por fim, a liderança da Lava Jato é composta majoritariamente por comandantes altamente motivados e que se já revelaram dispostos a ir até o fim. Estes juízes, procuradores e delegados foram bem sucedidos em aglutinar ao seu redor um time de profissionais aguerridos, determinados e focados em seus objetivos. Como  dito à 2.500 anos :

“O general que avança sem cobiçar fama e se retira sem temer a desgraça, cujo único pensamento é para proteger seu país e dar um bom serviço ao seu soberano, é a jóia do reino.”

Mas há mais a dizer. Além de bons planejadores, a cúpula, da lava jato se revelou excelente em coordenar equipes, não sendo registrados casos significativos de dissidências entre seus membros operacionais. Então, encerrando com Sun Tzu:

“Sem harmonia no exército, não pode haver formação de batalha “

O trabalho realizado até agora  da Lava Jato está em consonância com tudo aquilo que o general chinês preconizava vinte e cinco séculos atrás, qual seja:

Um trabalho de Estado bem feito, com foco na natureza humana e relação custo/benefício positiva do ponto de vista material.

Você também poderá gostar de:

http://www.robinsonfarinazzo.com.br/o-maior-general-dos-estados-unidos/

Assista a seguir um trailer do novo filme sobre a Operação Lava Jato que deve estrear em breve nos cinemas:

O MAIOR GENERAL DOS ESTADOS UNIDOS

“Robert Lee chegou o mais perto possível de ser uma divindade viva… e quando ele morreu, o ar serenou.”

                          (Richard Dreyfuss, ator vencedor do Oscar, Golden Globe e BAFTA)

 

Nas cercanias de Washington, às margens do Rio Potomac, há um aprazível conjunto de colinas, onde estão enterradas algumas das pessoas mais icônicas da História dos Estados Unidos: o Cemitério Nacional de Arlington, Virgínia. Lá estão os astronautas da nave Challenger, o general Omar Bradley, o cientista Albert Sabin, o Senador Robert Kennedy e seu irmão, o Presidente John Fitzgerald Kennedy, acompanhados por milhares de soldados mortos em todas as guerras dos EUA. Isto, muita gente sabe.

Mas, o que nem todo mundo tem conhecimento é que este local sagrado era uma fazenda que foi confiscada pela União do tático mais brilhante de toda a História dos Estados Unidos, o general Confederado (sulista) Robert Edward Lee durante a Guerra da Secessão (1861-65). E, por suprema ironia da história – e há muitas na vida deste homem – seu antigo proprietário não está enterrado ali. Agora vamos saber porquê.

O Cemitério Nacional Arlington

Nascido em 1807, era filho de um também herói de guerra, o General Henry Lee III. O pai faleceu antes de Lee ingressar na Academia Militar de West Point, em 1825. Aí, já começa o primeiro paradoxo do futuro General Robert E. Lee: ele não se formou infante, ou artilheiro, nem foi da arma de Cavalaria. Lee graduou-se em Engenharia Militar, especializando-se em construir fortificações e fazer levantamentos topográficos para obras civis e militares. Ou seja, o futuro líder militar mais ágil, rápido e ofensivo da Guerra da Secessão Americana era um homem que aprendera a combater de posições fixas no início de sua carreira!

Em 1861, a América estava dividida: de um lado, a industrializada União – o governo do Presidente Abraham Lincoln – o qual desejava abolir a escravidão, contrapondo-se aos Estados Confederados do Sul, todos agrícolas e dependentes da mão de obra escrava, os quais decidiram se  separar da União. A guerra era inevitável.

Quando as hostilidades entre Norte e Sul eclodiram ainda naquele ano, Lee, (que não desejava a guerra), acabou sendo movido pela lealdade ao seu estado natal, a Confederada Virginia. Pediu, então, demissão do exército nortista e voltou ao seu torrão, onde recebeu um comando militar. Há que se fazer um parênteses neste ponto de nossa narrativa: Lee provavelmente tinha lá suas reservas sobre a moralidade da escravidão, mas elas foram definitivamente abafadas por suas raízes sulistas.

 De início, suas funções no exército confederado foram puramente defensivas, mas a partir da Segunda Batalha de Manassas (ou Bull Run, 28 de agosto de 1862), ele, em flagrante inferioridade numérica contra o Exército da União, (tinha 49.000 soldados contra 76.000 do inimigo) derrotou seu oponente infligindo 16.000 baixas ao Norte (contra apenas 9.000 sulistas).

Daí em diante, este seria o “modus operandi” de suas operações, atacar em inferioridade numérica, obtendo a vitória através de brilhantes movimentos táticos que tiravam o melhor aproveitamento possível do terreno. Ele sabia envolver o oponente, manobrava seu exército com maestria e conseguia extrair o máximo rendimento de seus homens no campo de batalha. Uma verdadeira raposa, das 13 grandes batalhas que travou nos quatro anos que durou a Guerra da Secessão, ele venceu 6, perdeu 5 e empatou duas.

Os segredos do seu sucesso? São vários, mas vamos tentar enumerar apenas três deles aqui, pois servem de ensinamento até os dias de hoje, e transcendem para áreas do conhecimento muito além da pura arte da guerra:

1- Inobstante seu caráter tímido, Lee era um líder brilhante, que inspirava seu pessoal. Dizem que ele conseguiria transformar em soldado qualquer pessoa que tivesse braços e pernas!

2- Lee possuía muita experiência. Seus anos como oficial júnior foram de grande aprendizado construindo fortificações por todo o interior dos Estados Unidos e mais tarde, como oficial superior, adquiriu expertise combatendo na guerra contra o México (1846-48);

3- Ele teve sob seu comando alguns dos melhores generais da Guerra Civil, tais como P.G.T. Beauregard, Stonewall Jackson e J.E.B. Stuart, todos homens brilhantes que ajudaram a  transformar seus planos e decisões em realizações práticas no campo de batalha .

Mas, a excelência tática de Lee não bastou para conduzir o Sul Confederado à vitória final. O poderio industrial da União, aliado às suas facilidades de comunicação e logística e amparados por um eficiente bloqueio naval, acabaram por fazer valer o peso dos números e levar os sulistas à rendição em Appomattox, em 09 de abril de 1865.

Lee foi um grande general (provavelmente, o maior que os EUA já tiveram), mas estava do lado errado da História. A causa do Sul estava perdida antes de começar, pois a liderança política confederada não conseguira perceber a desumanidade e a ignomínia que haviam na escravidão, e que era chegado o tempo de extingui-la. Causa que custou as vidas de mais de 700.000 americanos, mortos  por seus próprios conterrâneos.

Lee e Traveller

Após o conflito, Lee (que perdeu seus direitos políticos, mas foi anistiado) tornou-se um ícone da reintegração do Sul e da reconciliação nacional, colaborando positivamente com a pacificação e reunificação dos Estados Unidos até sua morte, em 1870.

Seu leal cavalo Traveller, que o acompanhou por boa parte da guerra, morreu pouco tempo depois. Ambos foram enterrados na sulista Virgínia, não muito distante de Arlington.

Você também poderá gostar de:

SE O DUQUE DE CAXIAS NÃO FOSSE BRASILEIRO

Assista ao vídeo da festa em Santa Barbara D’Oeste que comemora os 150 anos da chegada de americanos sulistas ao Brasil:

 

IMIGRAÇÃO, TALENTO E SENSIBILIDADE

O pai de Steve Jobs, Abdulfattah Jandali, nasceu em Homs, na Síria, e acabou indo morar nos EUA nos anos 1950 por motivos políticos. Como a Síria é um dos países que estão na mira do Presidente Donald Trump, é fácil inferir que, se ele fosse Presidente em 1955, Jobs não teria nascido, a Apple não existiria e não teríamos IPhone, IPad e todo o progresso tecnológico associado que decorreu destas inovações.

 Se este exemplo ainda não o convenceu de que imigração traz coisas boas para o país que abre as portas para as pessoas, vamos tentar fazer vibrar seu coração. Existe uma canção francesa de Edith Piaf chamada “La vie en Rose” ( A vida cor de rosa) que, além de belíssima, é muito popular na França. Mas, ninguém soube interpretá-la com tanta garra, sensibilidade e alegria de viver como a  jamaicana Grace Jones  (em minha opinião pessoal, melhor que da intérprete original) dfjdrn2.

Ou seja, se não tivesse sido dada uma chance a Grace (que imigrou da Jamaica para os EUA aos 13 anos de idade), jamais teríamos “La vie en Rose” cantada com tanto brilhantismo. Se duvida, veja o vídeo a seguir.

Você também poderá gostar de :

http://www.robinsonfarinazzo.com.br/as-pontes-que-nos-agigantam-e-os-muros-que-nos-apequenam/

PARA ONDE VAI A AVIAÇÃO MILITAR – O SISTEMA PERDIX

Todo militar em função de decisão em qualquer Força Armada de praticamente todos os países do mundo carrega consigo uma preocupação enorme com a otimização de resultados. Isto porque os equipamentos que seu país coloca à sua disposição são caros e sua aplicação precisa ser decisiva numa situação extrema, então a pressão por acertos é enorme. E justa.

Ora, já vimos na primeira parte desta matéria que nos dias de hoje uma única aeronave consegue fazer com precisão o pesado trabalho que na Segunda Guerra Mundial demandava toda uma esquadrilha, mas este aperfeiçoamento não bastou. É necessário fazer o ataque e sobreviver para cumprir mais missões – e a melhor maneira de conseguir trabalhar assim é se valendo de um conceito chamado STAND OFF.

Mas o que é esta técnica e como ela funciona ?

Basicamente, consiste em acertar o alvo enquanto o vetor permanece fora do raio de alcance em que os defensores são suscetíveis de envolvê-lo. Grosso modo, trata-se de ter um braço maior do que o do inimigo, permitindo golpear o oponente enquanto este permanece impotente. A ideia não é nova, pois os americanos começaram a pensar nela por volta de 1974, embora só em 1991 na Guerra do Golfo o conceito tenha se tornado operacional, com um esquadrão de Boeing B-52 viajando por metade do planeta para lançar uma bateria de mísseis AGM-86 contra alvos no Iraque.

Boeing B-52 lançando AGM 86

O conceito STAND OFF opera na base da simbiose entre um bom vetor (no nosso caso, uma aeronave com características de plataforma estável de armas), e um armamento com guiagem e raio de alcance que lhe permita ser lançado de uma distância suficiente do alvo para que o vetor não seja alcançado pelas armas defensivas. A aeronave lança o míssil ou a bomba planadora, e enquanto a segunda voa em direção ao alvo, a primeira inicia manobra evasiva e se afasta rapidamente do local.

Mas, a indústria militar aeronáutica quer (e é pressionada para) ir mais além – e desenvolveu o sistema PERDIX. Esta inovação, concebida pelo MIT/Lincoln, (o prestigiado Instituto Massachusetts de Tecnologia) consiste em centenas de minidrones medindo cada um 15 cm de comprimento e 30 cm de envergadura, sendo lançados simultaneamente de uma única aeronave.

Drone PERDIX

Por enquanto, eles têm apenas a função de vigilância do campo de batalha, mas não é difícil adivinhar o que vem por aí. E você pode destruir quantos deles quiser (ou conseguir), pois o sistema trabalha com inteligência em rede, coordenando-se entre si por um algoritmo que, provavelmente, já é um princípio de inteligência artificial, onde os drones sobreviventes desempenham o papel dos que foram destruídos. Quem viu (e ouviu)  o sistema em ação o descreveu como um pesadelo.

Este sistema é inovador, sob vários aspectos: oferece menos risco aos pilotos, funciona como elemento dissuasório a ações terroristas e abre todo um leque de futuras aplicações civis em diversas áreas, da agrimensura à vigilância de estradas, passando pelo monitoramento ambiental.

Assista a seguir: o vídeo de um Boeing F-18 lançando 103 drones PERDIX no campo de provas da Marinha dos Estados Unidos em China Lake, no deserto do Mojave.

Você também poderá gostar de:

http://www.robinsonfarinazzo.com.br/para-onde-vai-a-aviacao-militar/

PORQUE AS FORÇAS ARMADAS ALTERNAM SEUS COMANDANTES ?

“Repetir para aprender, criar para renovar.”

(Ezra Pound)

Durante seis anos, entre 1939 e 1945, a RAF (Royal Air Force, a Força Aérea Real da Inglaterra) enfrentou sua contraparte alemã, a Luftwaffe (Força Aérea Alemã) em luta mortal nos céus da Europa. Acabou vencendo por diversos fatores, mas eu gostaria de destacar um deles aqui hoje, que é a alternância do comando.

Neste período considerado, a Luftwaffe teve um único Comandante, o Reichsmarschall Hermann Göring, um herói condecorado da Primeira Guerra Mundial. Um dos favoritos de Hitler – o que o tornava virtualmente intocável – Göring acabou por viciar a Luftwaffe, levando-a a cometer enormes erros táticos e estratégicos, mas permaneceu no cargo até o fim.

Tivessem os alemães conduzido o assunto sob uma postura mais profissional e menos personalista, substituindo o Reichsmarschall, teriam boas chances de obter resultados mais satisfatórios.

Dito isto, podemos dizer que, em se tratando de nosso País, o normal é que, sempre que assume um comando, um Oficial de qualquer uma das três Forças Armadas regulares do Brasil (Marinha, Exército e Força Aérea), o faz sob mandato pré-fixado no quesito tempo – qual seja, tem dia marcado para começar e para acabar. E o objetivo do nosso texto de hoje é explicitar  os motivos que as levam a adotar este “modus operandi”.

A primeira razão é o próprio fluxo de carreira. Há que se oferecer chances para que a maior parte dos militares em condições de comandar o faça dentro do grau hierárquico que o cargo exige. Isto proporciona às Forças Armadas a oportunidade de preparar seus oficiais num nível cada vez mais complexo no tocante à responsabilidade e mesmo no que se refere na sua adequação à importância estratégica da função que exerce para a respectiva Força.

Qual seja, usualmente, a pessoa comanda uma unidade militar cuja complexidade não lhe será estranha ao conhecimento que acumulou até aquela altura da carreira, esperando-se que desempenhe satisfatoriamente funções que serão compatíveis com a posição que ocupa na hierarquia durante o período estipulado. Terminado o mesmo, passa a vez para quem se segue e recebe novas funções, as quais na maior parte das vezes são ainda mais desafiadoras.

Histórica e estatisticamente, este sistema tem funcionado muito bem, e o aprendizado gradual (tal qual uma grande corporação) contribui para deixar em condições aperfeiçoadas os quadros de profissionais que um dia irão assumir os cargos de alta direção da Força – os postos de Oficial General. Esta trajetória guarda muita similaridade com a maneira como algumas grandes empresas preparam e treinam seus CEOs, principalmente os grandes bancos privados.

Mesmo quando já atingiu o posto de Oficial-General, o militar continua passando por rotatividade em suas funções, embora nesse caso os mecanismos de rodízio guardem outras particularidades, dado o fato de que estão condicionados à novas variáveis.

Outro fator muito importante no revezamento dos comandos é a injeção de novas idéias que o  chefe que chega  traz consigo. Se tiver um comportamento pró-ativo, ele vai procurar saber o que não correu tão bem na gestão de seu antecessor (e sempre tem, pois ninguém é perfeito) e, sem fazer grande alarde, melhorar o que for possível, amadurecendo no processo. Esta renovação de mentalidades é benéfica para todos.

Mas, quais as lições que esta política de trabalho oferecem para o meio civil?

Em primeiro lugar, o revezamento de dirigentes é uma opção saudável e progressista, na medida que o próprio cargo desgasta o seu ocupante e faz-se necessário substituí-lo periodicamente. Em segundo lugar, as ideias se esgotam ou se desatualizam, gerando soluções ineficazes ou de baixa eficiência, fazendo-se necessário uma oxigenação de mentalidades. E, em terceiro, mas não menos importante: é necessário abrir caminho e dar espaço a novas gerações e à formas mais diversificadas de liderança.

Você também poderá gostar de :

http://www.robinsonfarinazzo.com.br/comando-e-solidao-mas-nao-pode-ser-solitario/

Assista o vídeo de uma passagem de comando da Brigada Pára-quedista do Exército Brasileiro:

 

PARA ONDE VAI A AVIAÇÃO MILITAR ?

Esta é a grande pergunta que planejadores militares, engenheiros aeronáuticos e, principalmente, controladores de orçamento de defesa fazem entre si hoje em dia. Para tentar respondê-la, iniciamos hoje uma série de artigos que discorrerá sobre suas origens, descreverá seu presente e tentará dar um vislumbre do que pode vir a ser o seu futuro. O tema de hoje é a evolução das armas lançadas de aeronaves para destruição de alvos de superfície. Acompanhe!

CENÁRIO 1

No verão de 1943, as Forças Aéreas aliadas na Europa Ocidental lançaram um massivo ataque aéreo diurno contra a cidade alemã de Schweinfurt-Regensburg, as quais abrigavam fábricas de aviões alemães. Perderam 60 enormes bombardeiros B-17. Voltaram à carga no outono daquele ano e perderam mais 77 aviões. Em ambos os casos, os resultados alcançados foram pífios, pois as fábricas alemãs continuaram a produzir.

CENÁRIO 2

Passadas duas décadas, a USAF (United States Air Force – Força Aérea dos Estados Unidos) se depararia novamente com o mesmo problema, desta vez em céus norte vietnamitas.

Corria o ano de 1965. A ponte de Thanh Hoa, no rio Song Ma (apelidada “Mandíbula de Dragão”), no Vietnã do Norte, era vital para reabastecimento das tropas Vietcongs (a guerrilha comunista que operava no sul do país). Desta forma, era imprescindível que as Forças Armadas Americanas a destruíssem.

No primeiro ataque, em abril daquele ano, lançaram-se 1.200 bombas e 32 mísseis (nesta época, um único bombardeiro a jato já carregava quase a mesma tonelagem de bombas que todo um esquadrão da Segunda Guerra). E a ponte continuou intacta.

Persistindo a necessidade, os americanos continuaram a atacar a ponte até 1972, quando finalmente conseguiram destruí-la com bombas guiadas por TV. Ao custo de 11 aeronaves abatidas.

Fig. 2 Ponte “Mandíbula do Dragão”

CENÁRIO 3

Na Guerra do Golfo (1991), em que os Estados Unidos, capitaneando uma coalizão de 28 países, expulsou as tropas do ditador iraquiano Saddam Hussein do Kuwait, assistiu-se, pela televisão, a cenas impressionantes de mísseis praticamente entrando pela janela de um prédio. As novas armas introduzidas no arsenal americano eram extremamente precisas (minimizando desta forma os danos colaterais a civis), e podiam ser lançadas de uma posição bem distante do alvo, evitando a exposição da aeronave que a lançava ao fogo inimigo.

Em acréscimo, foram projetadas aeronaves que tinham a função de embaralhar os radares inimigos. Desta forma, as armas antiaéreas de Saddam  atiravam às cegas, diminuindo sua eficiência.

O que se depreende disto ?

Na Segunda Guerra eram necessárias centenas de aeronaves para destruir um alvo. No Vietnã, a mesma missão era conduzido por uma dezena. Depois do Golfo, uma única aeronave consegue fazer o mesmo trabalho.

Na guerra contra os nazistas, centenas de milhares de aviadores americanos e britânicos amargaram longo cativeiro na Alemanha ao serem derrubados sobre aquele país e feitos prisioneiros. No Vietnã a cifra caiu para algumas centenas. Na Guerra do Golfo não chegou a dez, e na data de hoje (2017), já faz mais de 20 anos que um piloto norte americano não aparece capturado no noticiário da CNN ou da Al Jazeera, embora, desde então, tenham bombardeado Kosovo, o Iraque novamente, o Afeganistão e a Líbia.

Os militares americanos, ao longo de 70 anos, aprenderam com seus erros. Numa análise comparativa, pode-se dizer que eles realizaram um verdadeiro trabalho de reengenharia, de vez que:

  1. Estabeleceram metas (destruir alvos com precisão a um custo mínimo de homens, máquinas e efeito político negativo);
  2. No intervalo entre guerras, repensaram os processos utilizados na campanha anterior, visando aperfeiçoar o que não funcionou a contento;
  3.  Desenvolveram novas maneiras de conduzir estas operações e
  4. Aplicaram novos métodos, baseados em táticas, armas e treinamentos aperfeiçoados.

A soma destas atitudes se traduziu em mais EFICIÊNCIA, pois a cada nova guerra os alvos eram atingidos com menos bombas desperdiçadas, menor era o número de aeronaves derrubadas   (e, de pilotos mortos ou feitos prisioneiros), ao mesmo tempo que se diminuíam as baixas civis inimigas.

A parte os novos métodos, o “increase” desta eficiência se deve, também, ao advento dos VANTs (Veículos Aéreos Não Tripulados – objeto de artigos futuros) e ao uso de armamentos ditos inteligentes.

BOMBAS INTELIGENTES

As bombas ditas “inteligentes” nada mais são que bombas convencionais dotadas de um “kit“ de guiagem que as direciona para o alvo. A diferença entre uma bomba guiada e um míssil é que a primeira não possui propulsão (motor, foguete ou outro), valendo-se apenas da força da gravidade e da velocidade inicial que recebe por ocasião de sua queda da aeronave lançadora. Ademais, seu custo é muito mais barato do que o de um míssil ar-superfície.

O “kit” que as diferencia das bombas convencionais em geral é composto dos seguintes itens :

ALFA – sensor eletrônico (para captar as imagens do alvo, receber sinais laser ou, ainda, obter dados de satélite);

BRAVO – um sistema de controle integrado (um microchip com alta capacidade de processamento);

CHARLIE – empenagens de voo para guiagem em direção e atitude, também, utilizadas para estabilização; e

DELTA – uma fonte de energia (em geral, bateria).

Fig. 3 Modelo de bomba inteligente

Tipos de orientação dos armamentos inteligentes

1) LASER – o sensor existente na bomba capta o reflexo no alvo de uma emissão laser que pode tanto vir do solo (estando o alvo iluminado por tropas de operações especiais ou outras) como de outras aeronaves.

2) DISPOSITIVOS ELETRO-ÓPTICOS – uma câmera de vídeo transmite imagem do alvo para o piloto para que o mesmo faça as correções necessárias a a guiagem da bomba.

3) SATÉLITE – o sensor guia-se pela posição GPS do alvo. Este sistema é altamente preciso se a guiagem for incrementada por um sistema inercial.

Ao contrário dos sistemas LASER e Eletro-óptico, a conjugação GPS/Inercial não está sujeita à degradação da precisão em virtude de condições meteorológicas adversas.

Fig.4 Bomba inteligente de fabricação nacional

Funcionamento dos armamentos inteligentes

Basicamente, um ataque a alvo com aeronave que disponha de bombas inteligentes se processa da seguinte forma: a aeronave posiciona-se geralmente a uma distância segura do alvo, de maneira que não possa ser alcançada pelos dispositivos anti-aéreos do mesmo (stand off), e o piloto controla a mesma de maneira a se manter no envelope de emprego do armamento (altitude mínima de lançamento, velocidades adequadas, atitude da aeronave , quantidade de G a ser puxada etc).

Fig 5. Alvo “trecado” por bomba inteligente

Uma vez que a bomba se solta do avião, começa a receber informações dos sensores que delineiam a posição do alvo. Estas informações são transformadas em comandos para as suas aletas, as quais curvam o dispositivo na direção a atingir. Desta forma, ela vem planando em direção ao objetivo e recebe as correções automaticamente. O grau de precisão se mede em poucas dezenas de metros. (Continua…)

Você também gostará de :

http://www.robinsonfarinazzo.com.br/como-a-forca-aerea-dos-estados-unidos-valoriza-o-seu-pessoal/

Assista um curto vídeo do lançamento de bomba inteligente GBU-24 pela Força Aérea da Coréia do Sul (com som ligado):

AS PONTES QUE NOS AGIGANTAM E OS MUROS QUE NOS APEQUENAM

” Para unir-se,  é preciso amar-se.

Para amar-se, é preciso conhecer-se.

Para conhecer-se,   é preciso ir ao encontro um do outro.”

(Papa João XXIII)

Morei certa vez num prédio onde havia um funcionário que viera de Angola. Esforçado e bem humorado, trabalhou duro e foi com muita alegria que certo dia cheguei do trabalho e percebi que ele substituíra o  macacão dos serviços gerais pelo terno da portaria,  pois fora promovido pela empresa terceirizada que nos prestava serviços. E, eu tenho certeza que ele não vai parar por aí, pois tem a natural garra e senso de empreendedorismo que a maioria dos imigrantes carrega consigo. A mesma vontade de vencer na vida que fez com que meus avós, também imigrantes pobres, viessem da Europa para o Brasil. Sem isso uma boa parte dos brasileiros sequer estaria aqui hoje.

Imigração é manancial de ideias e fonte de força laboral que impulsiona a economia. Chegamos ao ponto atual, nós humanos como civilização, porque nos integramos e superamos barreiras. Conseguimos transformar diferenças em simbiose, e daí proporcionar bem comum. Sociedades que se abriram a novas ideias e conceitos conseguiram formular soluções, proporcionar avanços e construir um futuro melhor. Foi assim com os EUA, Brasil, Canadá, Austrália, Israel e Argentina, países que receberam imigrantes de braços abertos durante boa parte de sua história. Foi o caldo cultural que estes lugares amealharam que permitiu suas realizações positivas. O que seria do programa nuclear americano se não fosse a força de trabalho de cientistas imigrantes que se refugiara do nazi-fascismo europeu sob o guarda-chuva democrático dos EUA?

Dito isso, vejo com muita tristeza a proliferação de muros que ocorre mundo afora em nossos dias: na Europa, no Oriente Médio e agora na América. E isso me faz pensar que não vão longe os dias em que EUA e Inglaterra se uniram na então maior ponte aérea da história, na Berlim de 1948 cercada pelos soviéticos. Dois milhões de berlinenses, foram salvos do frio e da fome pelo carvão e alimentos que os aviões dos países com os quais haviam estado em guerra até três anos antes trouxeram. E agora os mesmos Estados Unidos pretendem construir um muro em suas fronteiras.

Então, eu pergunto o seguinte: passados sete décadas desta façanha de solidariedade, o que foi que deu errado? O que mudou em nossa civilização, onde foi que nos perdemos de nossos melhores momentos?  Será que alguém acredita que vamos conseguir chegar a algum lugar erguendo caríssimas barreiras que nos dão a sensação (ainda mais cara) de que vai tudo bem, que os problemas que forçam as pessoas a se moverem de um país para outro vão deixar de nos afetar porque ficaram do outro lado da cerca?

Vamos, também, mencionar o contraponto e dar voz àqueles que argumentam que deve haver controles e limites à imigração, pois eles têm a sua legítima parcela de razão. Isto pode (e deve) ser feito, sem a maior sombra de dúvidas. Mas, o que não se deve (nem se pode) ser feito é institucionalizar o preconceito, materializá-lo na forma de muros e cercas e desfigurar o caráter das modernas democracias,  as quais sempre representaram porto seguro para pessoas com esperança de dias melhores.

Se tudo isto não bastar, lembro que, ao negar asilo aos refugiados de países que estão em guerra (com as quais, aliás, as potências sempre lucram vendendo armas), não estamos apenas impedindo que estas pessoas vivam em nossos países: muitas vezes, as estamos enviando de volta para que morram no país delas.

E como sempre, para reflexão, eu deixo Vocês com um trecho de filme. O de hoje é “Tempos de paz”, uma sensacional interpretação de Tony Ramos e Dan Stulbach, que traz a história de um imigrante polonês tentando entrar no Brasil em 1945. Sim, nós também já tivemos nossos muros, e hoje eles muito nos envergonham.

Conheça a história da Ponte Aérea de Berlim em :

UMA MENSAGEM ESQUECIDA DE PÁSCOA: AVIÕES, CHOCOLATES E SOLIDARIEDADE

LIDERANÇA É CONEXÃO COM A MODERNIDADE

“Não há nada mais forte nesta vida do que uma ideia cujo tempo chegou”

(Victor Hugo )

 

 Qualquer líder que se proponha a conduzir mudanças positivas deve ter em mente que precisará estar em sintonia com sua era. Para fundamentar essa premissa, vou oferecer dois exemplos em momentos e países diferentes e em seguida explanarei as lições que eles nos trazem.

O primeiro deles se deu pouco antes do início da Segunda Guerra Mundial, quando havia na França um jovem (para os padrões de hoje) oficial do exército chamado Charles de Gaulle. De visão progressista, ele então simbolizava o novo na viciada e arcaica República Francesa de entre guerras. E provou seu valor, pois foi a alma e a inspiração da França nos anos duros de ocupação nazista, além de garantir que seu país não caísse no ostracismo internacional nos anos seguintes.

Entre idas e vindas na política (foi Chefe do Governo Provisório, Primeiro Ministro e Ministro da Defesa, dentre outros cargos)  passaram-se os anos, e em 1969, quase no final da vida, ele precisou renunciar à presidência de seu país. Fato é, se em 1940 De Gaulle representava a novidade, na turbulência de 1968 ele já não tinha soluções  que atendessem  o que os franceses queriam. Ele viria a falecer em 1970.

No Brasil tivemos cenário parecido. Em 1930, a novidade Getúlio Vargas representava a esperança para o País. Em 1954, quando se suicidou aos 72 anos de idade, seu governo já encarnava tudo de errado  que se propusera a combater duas décadas antes. E é da liderança brasileira que eu quero falar hoje.

De Gaulle e Getúlio: as idéias se diluem no tempo

Segundo dados do site Wikipedia, o Brasil tem hoje cerca de 206 milhões de habitantes, e uma taxa de aumento populacional calculada em cerca de 1,05% ao ano. Isto nos dá um acréscimo de 2.163.000 novos brasileiros a cada 365 dias e, se nada mudar, em uma década, como o crescimento se dá por taxas compostas, teremos uma população de aproximadamente 228 milhões de brasileiros – ou 22 milhões de pessoas a mais a cada dez anos! (outras fontes poderão ser adotadas como base a critério do leitor, mas é difícil fugir desta tendência). Isto equivale a dizer que duas dezenas de milhões de brasileiros que não estão aqui hoje dividirão espaço conosco daqui a duas copas do mundo. Vamos precisar receber, educar, alimentar e cuidar de toda esta gente, com habitação, saúde, transporte, segurança, empregos etc.

A pergunta que fica é a seguinte: será que as soluções de liderança que temos hoje (e que em grande parte já demonstraram que não estão à altura dos desafios do nosso tempo) poderão atender às demandas dessa nova geração de brasileirinhos que já está despontando no horizonte? Alguém acha que vamos chegar a algum lugar amparados no ideário dos anos 1960/70 que são propostos por boa parte da esquerda e da direita brasileiras?  Ou já não está na hora de darmos voz e vez a uma nova cepa de líderes mais compromissados como nossos anseios, alinhados com nosso espírito ético e afinados com nossa era?

O Brasil é um país tropical, com a natural tendência das coisas amadurecerem muito rapidamente e, por consequência, perderem seu viço. Nossos ciclos de validade são intensos, porém breves. Isso acontece com as ideias também, as quais, se não renovadas, perdem sua eficácia rapidamente. Líderes e partidos políticos que surfavam na crista da onda dez anos atrás estão a caminho da decadência e do ostracismo hoje. Temos necessidade urgente de lideranças com agendas positivas.

Precisamos de líderes que estejam em sintonia com a modernidade. Gente que veja possibilidades na tecnologia, e não obstáculos. Que enxergue o mundo que existe além de nossas fronteiras como um universo de oportunidades e não uma ameaça potencial. Que estimule nossa capacidade criativa, desperte nossa competitividade, nos faça acreditar que sonhos podem ganhar a luz do dia!

Ansiamos por líderes que acreditem e convençam os brasileiros do quanto o Brasil é capaz.

E como sempre, eu vou deixar Vocês com um trecho de um filme que ilustra nossa pauta. O de hoje é a cena de Nelson Mandela assumindo o governo da África do Sul, no filme “INVICTUS”. Isso é agenda positiva!

Você também poderá gostar de:

ANTES DE PARTIR PARA A ESCALA, VOCÊ DEVE TESTAR A VALIDADE DO CONCEITO