AS PONTES DE TOKO RI

James A. Michener foi Oficial da Marinha dos Estados Unidos (US Navy) durante a Segunda Guerra Mundial, tendo participado da Campanha no Oceano Pacífico. Observador atento e de grande sensibilidade, mas sobretudo um ótimo escritor, transformou tudo o que viu e ouviu em (boa) literatura, chegando a ganhar um Prêmio Pulitzer em 1948. Parte de suas obras  transformaram-se em filmes, como “Esquadrão Heróico”, “Sayonara” (com Marlon Brando) e o nosso tema de hoje, “As pontes de Toko Ri”.

Este filme (Oscar de melhores efeitos especiais em 1956) mostra as difíceis condições de céu e mar na Guerra da Coréia (1950-53), com foco nos dramas humanos. Basicamente, é a história de um piloto naval (William Holden) que é convocado para a perigosíssima missão de realizar um ataque aéreo no gelado inverno do Mar do Japão contra as bem defendidas pontes de Toko Ri, no disputado território coreano ( o nome verdadeiro do local era Samdong-ni).

Não era fácil voar ali. Não bastassem as difíceis condições topográficas e meteorológicas, a Marinha Norte Americana deparava-se com um sério problema operacional: assolados por mares minados , submarinos soviéticos e águas rasas, os comandantes de porta aviões dispunham de pouco espaço para manobrar a fim de  se manter na rota que enquadrasse os  ventos mais favoráveis as operações aéreas.

As extremas condições do Mar do Japão

 A fim  de se obter a melhor sincronia possível entre vento e movimentos do navio nas críticas operações de pouso e decolagem, faziam-se necessárias diversas manobras precisamente cronometradas, tendo-se sempre como limitante o onipresente e traiçoeiro litoral norte coreano, suas minas e submarinos. Era isto ou arriscar o pouso a bordo fora das condições do envelope de voo, com a possibilidade do piloto cair no oceano  e congelar em poucos minutos nas frias águas do Mar do Japão.

 Houve pilotos derrubados várias vezes em combate, sendo que um deles, o Comandante Paul Gray do esquadrão VF-54, o fora cinco vezes nas cercanias do porto de Wonsan. Gozadores, seus colegas pilotos deixaram um jocoso cartaz no alojamento: ‘Se você tiver que pousar em emergência em Wonsan, cuidado para não atingir o avião do Gray “!

 Todos os fatos mostrados no filme aconteceram realmente, embora não com as mesmas pessoas nem na sequência que foram mostrados. O excêntrico piloto de helicóptero de resgate vivido pelo ator Mickey Rooney é, de certa forma, uma mescla da história do tenente da Marinha John Kelvin Koelsch, que morreu de maus tratos num campo de prisioneiros de guerra norte coreano após ter sido derrubado enquanto resgatava outro piloto, com a personalidade do “chefe” Duane Thorin, muito hábil em “pescar”  pilotos no Mar do Japão (131 resgates bem sucedidos antes de ser derrubado).

Uma singela homenagem a estes dois homens extraordinários.

Há quem diga que Michener fez o melhor relato existente até hoje sobre as dificuldades da Guerra da Coréia, um conflito esquecido pelos Estados Unidos, que dividiu um país e continua a gerar polêmica até hoje. Verdade ou não, este talvez seja o filme mais conhecido até hoje sobre aquele período.

Detalhe:  como se tudo isso ainda não bastasse, o filme ainda tem Grace Kelly belíssima no esplendor dos seus 23 anos !

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Assista o trailer de “As pontes de Toko Ri”:

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