AS MÃES DE SAIGON

A vida era muito difícil em Saigon, capital do Vietnam do Sul  naquele dramático abril de 1975. O exército Norte Vietnamita se mobilizava para tomar de assalto a grande cidade, submetendo a mesma à constantes bombardeios, os quais por sua vez eram respondidos pela contra bateria de seus oponentes sulistas. Como em todas as guerras, no meio deste fogo cruzado estava a indefesa população civil.

No dia 3 de abril, o Presidente dos EUA, Gerald Ford, anunciou que o governo de seu país evacuaria os órfãos vietnamitas de Saigon. Havia várias razões para isto, mas uma delas era que algumas dessas crianças eram filhas de soldados americanos com moças vietnamitas, e seu futuro poderia não ser muito auspicioso num Vietnam unificado sob bandeira comunista. A execução da retirada seria conduzida pela Força Aérea dos EUA (USAF) e recebeu o nome de Operação Babylift.

Em termos logísticos, a operação foi desafiadora . Logo no primeiro dia da mesma, um enorme jato Lockheed C-5A Galaxy caiu num arrozal próximo ao aeroporto de Tan Son Nhat, em Saigon. Dos seus 328 ocupantes, 155 pereceram, a maior parte crianças. Mesmo vinda de um cenário onde só proliferavam tragédias, esta história comoveu o mundo.

Sapatinho gasto de um órfão evidencia as dificuldades pelas quais passaram essas crianças

Sapatinho gasto de um órfão evidencia as dificuldades pelas quais passaram essas crianças

 Uma das conseqüências imediatas deste acidente foi a decisão da  USAF em manter toda a frota de C-5 no solo por razões de segurança até esclarecer as causas do acidente. A tarefa de evacuar as crianças foi então confiada a aviões de menor capacidade (C-141 Starlifter e C-130 Hercules). Estas aeronaves , para  conseguir atingir o mesmo volume de refugiados transportados que os C-5, precisariam realizar uma quantidade maior de vôos, o que por sua vez congestionou as pistas de pouso/decolagem e sobrecarregou os pilotos e o pessoal de manutenção. A Força Aérea fez o que pode, conforme pode ser visto na foto abaixo:

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Isto posto , conclui-se que seria necessário um tempo maior que o previsto para retirar todos os órfãos do Vietnam, mas a guerra não esperaria e muitos deles poderiam vir a  falecer neste ínterim. Tendo tomado conhecimento disto, o empresário americano Robert Macauley hipotecou a própria cada para alugar um Boeing 747 da companhia aérea PAN AM, conseguindo desta forma retirar 300 órfãos daquele inferno.

Como resultado deste esforço de todos, cerca de 2.500 crianças foram adotadas por famílias dos Estados Unidos, Canadá, Austrália e França. Um pequeno sobrevivente do acidente do avião C-5 foi adotado pela família do famoso ator Yul Brynner. O apoio de organizações humanitárias como a Holt International Children’s Services, Friends of Children of Viet Nam (FCVN), Friends For All Children (FFAC), Catholic Relief Service, International Social Services, International Orphans , Fundação  Pearl S. Buck e a CHILDHELP foram decisivas e essenciais não só para que a operação se tornasse politicamente viável, mas também para ajudar a alocar essas crianças em lares nos EUA.

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O que parecia ser o final feliz porém teve desdobramentos dúbios, pois, se por um lado a maioria  daquelas crianças eram realmente órfãs de guerra, por outro uma parte delas foi enviada por suas mães para que tivessem um futuro melhor no Ocidente. E houve também aquelas mães que , coagidas moralmente seja por pressão familiar ou qualquer outro triste motivo, foram forçadas a entregar seus filhos para adoção.

Passadas quatro décadas, ONGs como a Operation Reunite estão realizando exames de DNA para tentar reunir os órfãos à suas  famílias vietnamitas. Para as mães que ainda estão vivas, esta é uma dádiva sem preço.

CONCLUSÕES

 

É  preciso que se reflita sobre o drama das mães de Saigon porque, mesmo tendo se passado mais de 40 anos desde o fim da Guerra do Vietnam, a humanidade continua a produzir órfãos nas guerras da Síria, Iraque, Líbia, Afeganistão e tantas outras. É hora de pensarmos nas mães que ficaram viúvas ou perderam seus filhos, ou nos filhos que foram apartados de seus pais .

 Trata-se do momento de colocarmos a mão na consciência e pressionarmos os governos no sentido de abominarmos todas as guerras.

Ao menos pelas mães de Saigon, Aleppo, Cabul, Mossul , Bengazi e tantas outras . Porque a dor da perda não conhece bandeiras.

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Conheça a Operação Reunite :

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